Profissão Educador Social: “Profissional do Triângulo”

Julho 1, 2008 at 10:08 am (Uncategorized)

Em tempo de reforma social, que temos vindo a vivenciar, há que enfatizar o papel que tem de assumir o Educador Social, enquanto agente de mudança.
Assim, nos mais diversificados contextos de intervenção, deste profissional, queremos particularizar a atenção para, a acção privilegiada que o Educador Social pode ter, junto de todos aqueles idosos que são marginalizados pela nossa sociedade. Sociedade essa, que de modo directo ou indirecto, tem “arranjado” mecanismos para não permitir a participação e intervenção desses mesmos idosos.
Com efeito, e segundo Alfredo Bruto da Costa (1998),
“o problema social dos idosos, é um dos mais graves problemas sociais, e a maior parte das soluções em vigor é insatisfatória e contribui para criar nas pessoas e na opinião pública, a ilusão de que o problema vem sendo resolvido”.
Importa assim, reflectirmos sobre qual o contributo que o Educador Social pode dar, não só, na tentativa de melhorar a qualidade de vida dos idosos, como também de toda uma sociedade, tal como refere Corominas,
“compete à sociedade melhorar a qualidade de vida do indivíduo, aquando do seu envelhecimento”.
Actualmente, vivemos numa sociedade, que bem se pode designar por “sociedade do espectáculo”, onde, só cabem os cidadãos que mantenham um vínculo com o trabalho, e os que consigam exibir-se de algum modo.
No que se refere ao trabalho, reside logo o grande problema para os idosos, pois com a chegada da reforma, deixam de ter vínculo com o trabalho, ou seja, deixam de “interessar” à sociedade.
Como assinala André Gortz
“o que nós chamamos trabalho é uma invenção da modernidade. A forma em que o conhecemos, o praticamos e o situamos no centro da vida individual e social foi inventada e logo generalizada com a revolução industrial(…) é então graças ao trabalho remunerado que adquirimos nossa condição de cidadãos, conseguimos uma existência e uma identidade social, estamos inseridos numa rede de relações e intercâmbios sociais”.
Assim, podemos dizer que, na cultura ocidental, o trabalho, porque é muito valorizado, é fundamental para a integração social e obviamente também para a exclusão.
Com efeito, durante o período profissional é exigido comprometimento total com a profissão, por isso, a maior parte das pessoas vê-se privada de muitas actividades extra -profissionais. A sociedade impõe necessidade do desempenho da profissão, e essa mesma sociedade exige mais tarde a cessação dessa função.
Face a isto, podemos dizer com toda a legitimidade, que toda a actividade de uma vida, termina com a chegada da reforma.
No entanto, a reforma não deve ser sinónimo de inutilidade ou inactividade, antes pelo contrário, ela deve proporcionar ao indivíduo um tempo de repouso e de relaxamento, mas também de valorização pessoal.
Porém, se esse momento não for devidamente preparado, poderemos estar, isto é, estamos mesmo, perante um problema que tem grandes probabilidades de desencadear graves consequências a nível psicossocial.
No que concerne à exibição de algo, e face aos valores que predominam, os idosos também não têm nada para oferecer à “sociedade do espectáculo”.
Assim sendo, sem trabalho e sem ocupação do tempo, os idosos tornam-se num grupo estigmatizado, com óbvias dificuldades de integração na sociedade, apesar da sua forte vontade de estarem integrados.
Talvez por “problemas de consciência social” a tal “sociedade do espectáculo” tenta arranjar umas (pseudo)soluções. Destas, destacamos algumas formas de ocupação do tempo, tais como, os “passeios para idosos”, as “colónias de férias para idosos”, o “campismo para idosos”, o “turismo para idosos”, e porque está na moda, qualquer dia o “big brother para idosos”, que não são mais do que meras formas desestruturadas e pontuais produzidas pela “sociedade do espectáculo”.
A este respeito, Alfredo Bruto da Costa(1998) afirma:
“quanto a essas actividades, é de notar que as mesmas tendem a agravar a «ghetização» dos idosos, ao desintegrá-los do resto da sociedade. Pondo-os a conviverem entre si, poderão atenuar a solidão, mas não proporcionam a possibilidade de conviverem com as outras idades, como é próprio da vida”.
Enfim…
O que tenho a dizer, é que, é prioritário e mesmo imperioso que para os idosos exista uma ocupação em qualquer actividade que lhes dê prazer e os faça sentir úteis, pois, a falta de ocupação, tem efeitos nefastos sobre qualquer ser humano. No entanto, tais actividades têm que ser planificadas de um modo coerente e acima de tudo, enquadradas numa perspectiva humanista, e nunca, como têm sido, numa perspectiva de espectáculo, para a tal “sociedade do espectáculo”, de tenho vindo a falar.
Há assim que ir contra à filosofia do individualismo que impera na nossa sociedade, na perspectiva de se recuperarem os sujeitos colectivos, de modo a caminhar-se para uma sociedade mais solidária. Então, é preciso mudar, e para isso, há que experimentar um pouco por toda a parte nas condições naturais, pois, a qualidade de vida dos idosos num futuro próximo, dependerá das mudanças na forma como a sociedade perceber e responder ao envelhecimento. Sociedade essa que, segundo Kofi Annan deve ser para todas as idades e longe de representar os idosos como doentes e aposentados, os deve considerar agentes e beneficiários do desenvolvimento.
Para isso, na minha perspectiva, há que ter em conta o triângulo, cujos vértices são: o trabalho, a reforma e as ocupações.
O principal agente dinamizador desse mesmo triângulo, deve ser o Educador Social, profissional melhor apetrechado para ajudar a construir projectos de vida, que tendo em conta essas três vertentes, evitará a marginalização do ser humano, quando idoso. Período de vida em que ainda há muito para dar, pois:
- os idosos ensinam a simplicidade;
- os idosos ensinam a interdependência;
- os idosos, com a sua busca de companhia, desafiam uma sociedade em que os mais fracos são frequentemente abandonados a si mesmos, lembrando a natureza social do Homem e a sua necessidade de voltar a tecer a rede de relações interpessoais e sociais.
Corrigir assim a actual representação negativa da velhice é um compromisso cultural e educativo que deve envolver todas as gerações, e que necessita do “profissional do triângulo”, que é, sem sombra de dúvida, o Educador Social, que emerge nos dias de hoje, para assim, de modo decisivo contribuir para a valorização do SER sobre o TER, permitindo assim, caminharmos da “sociedade do espectáculo” para a “sociedade da integração”.

Paulo Gaspar
Universidade Portucalense

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A educação social é um contributo indispensável à formação de cidadãos

Julho 1, 2008 at 9:43 am (Uncategorized)

As nossas escolas estão repletas de tralha. Os políticos atiraram lá para dentro com todos os problemas que não são capazes de resolver noutras instâncias. As várias instituições sociais entraram em crise e é à escola que se pede que as substitua. Se a família não educa, a escola que o faça. Se as igrejas perderam influência, a escola que promova a fé e dê a educação religiosa. Se a sociedade não educa, e não ocupa, a escola que o faça. Agarrados a esta perspectiva, os governos vão pedindo à escola tudo, e pedindo tudo fazem com que ela seja, cada vez mais, uma instituição que não dá nada.
Se agora a sociedade é outra então organize-se a nova resposta. Assuma-se com clareza a distinção entre o conhecimento científico e tecnológico e o conhecimento social. Ou seja, a educação científica e tecnológica e a educação social. Estas duas componentes educativas ganham se forem consideradas na sua especificidade. Cada uma precisa dos seus educadores, formadores e estruturas apropriadas. Sem perderem as condições de diálogo e de complemento devem ser, no futuro, encaradas separadamente. Chamemos educação escolar à primeira e educação social à segunda. O futuro sistema educativo é composto pelos dois sub-sistemas, o ensino e educação escolar e a educação social. Em jeito de caricatura, dir-se-ia que um requer laboratório de física, o outro sala de dança.
O sistema escolar deve livrar-se de muitas das suas novas incumbências. Os seus esforços devem concentrar-se na aprendizagem da ciência e da tecnologia. O tempo que requer deve destinar-se a essa função. Deve por isso libertar os alunos para que estes possam frequentar, naturalmente, o sistema de educação social. É neste último que os alunos encontrarão um espaço privilegiado de reforço da socialização e de formação da sua consciência cidadã. Não se perca de vista que o cidadão do nosso tempo não passa sem a educação científica e tecnológica — educação escolar — e sem a educação social. Ambas são indispensáveis à formação do cidadão do século XXI.
Em nosso entender a educação escolar é não só nacional como universal. Pode ter uma orientação central. Deve organizar-se de modo a permitir a mobilidade dos cidadãos não só no espaço nacional mas também no espaço internacional. Aprender matemática em Portugal não deve ser diferente de a aprender em Espanha ou na Alemanha.
A educação social deve ter como impulsionadores os municípios. Ela organiza-se a nível local. É um meio de combater a desertificação social e cultural das nossas comunidades. Destina-se não só aos jovens mas está aberta a toda a população. Relaciona-se com o sistema escolar, com as empresas, com as organizações culturais e com todas as instituições que visem promover a elevação do nível educacional e cultural da população portuguesa. É uma forma de aprender, mas é, também, uma forma de viver.
Na educação social estão incluídas áreas de formação como a educação para a saúde, a educação rodoviária, a educação ética e social, a educação para as artes, a educação desportiva, ou seja, todo um conjunto de aprendizagens e actividades consideradas indispensáveis à formação integral de um cidadão mas que, pela sua natureza, não se incluem na aprendizagem técnica e científica do sistema escolar formal.
Esta área de educação conta com a participação de agentes educativos próprios, que não professores, nomeadamente especialistas da área do teatro, da música, da saúde, do desporto, sendo encarada como um espaço de fruição cultural e de  aprendizagem ao longo da vida, proporcionando não só uma oportunidade de prolongar a aprendizagem de uma determinada área de interesse como também proporcionar um encontro inter-geracional, onde os antigos aprendizes possam ser mais tarde os novos mestres. 

 

Recolha: Ricardo Jorge Costa

Organização do texto: Ricardo Jorge Costa e José Paulo Serralheiro

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Noticia: Acidente em Esposende

Abril 18, 2008 at 6:33 pm (Uncategorized)

Podem achar um bocado estranho ter colocado esta noticia aqui, mas tudo tem a sua lógica. Esta trajédia aconteceu numa terrinha do meu concelho e teve uma dimensão muito grande na cabecinha dos jovens e crianças que viajavam naquele autocarro. Quando o Professor à noite na aula nos disse que iamos começar a construir o blog e tinhamos que escolher uma noticia para publicarmos lá, não pensei duas vezes e fui logo à procura desta. Este discurso foi so p explicar o porquê de eu manter esta noticia no meu blog, uma porque foi um acidente que me marcou e outra porque aconteceu no dia em que comecei a construir este blog.

“Autocarro que fazia o transporte de estudantes despista-se junto ao rio Cávado. Um autocarro que fazia o transporte de crianças e jovens estudantes despistou-se na Estrada Nacional 205, por volta das 8h15, no concelho de Esposende, distrito de Braga. O veículo terá caído numa vala de 3 metros, junto ao rio Cávado. Apesar do aparato, o acidente terá provocado apenas feridos ligeiros. No autocarro que fazia a ligação entre duas freguesias do concelho de Esposende seguiam 60 pessoas, das quais apenas três eram adultos. Fonte dos bombeiros referiu à agência Lusa que, de acordo com as últimas informações, serão “cerca de 30″, nenhuma das quais em estado considerado grave.

De acordo com a repórter da SIC no local, Catarina Folhadela, acorreram ao local pelo menos 20 ambulâncias de várias corporações de bombeiros e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os feridos foram transportados para os hospitais de Braga, Viana do Castelo e Barcelos.”

 

 

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Olá meus visitantes!!!

Abril 18, 2008 at 6:19 pm (Uncategorized)

É sempre um prazer recebê-los no meu blog! Eu sou a Luisinha, estudante de Educação Social na ESE Porto. Neste blog que me foi proposto fazer como forma de avaliação de uma disciplina vou tentar encontrar um incentivo para nos manter informados sobre várias temáticas sobre o nosso mundinho Social. Será um blog meramente pessoal, no qual mostrarei algumas coisas que me “tocam”, que são efectivamente do meu interesse, nomeadamente a Educação Social e tudo o que a rodeia.

Espero que desfrutem! :)

 

 

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